terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Saber sair de cena.

Beatriz é uma rainha aclamada no reino da Holanda.
Com uma popularidade na casa dos 80% é uma mulher incontestada que se envolveu como nunca alguém antes o tinha feito no desenvolvimento do seu País.
Decidiu renunciar ao trono depois de 33 anos.
Com um índice de popularidade tão elevado, plena de capacidades, porquê sair?
Porque como disse é preciso dar o lugar aos mais novos, é preciso deixar o legado a eles, as responsabilidades e a ambição de tornar as nossas sociedades mais humanas e igualitárias.
Beatriz fez o que não é usual ser feito.
Saiu no momento certo, imaculada.
Tantos e tantos que em Portugal se dedicaram à causa pública e não souberam sair.
Sim, porque se tivessem saído no momento certo, seriam ainda hoje considerados uns senhores.
Falo de Cavaco Silva, falo de Mário Soares, falo de todos aqueles e aquelas que invocam o que foram para destabilizar, Otelos, entre outros.
Saber sair é fundamental. Todos temos os nossos momentos, quando persistimos acabamos por definhar.
E isso é triste e apaga tudo o bom que consigamos ter feito.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Estou vivo

Quanto o destino parecer querer entalar Seguro para a rede, o peixe político tenta a todo o custo fugir à malha.
Contudo, em vez de procurar o lado oposto da rede, avançou decidido direito a ela.
É dificil a um peixe romper uma rede que se acerca dele.
Contudo Seguro parece não ter alternativa e avançou, tentando entalar o pescador Costa no dilema da capital.
A meu ver fez bem. Não tem grandes hipóteses, mas tenta mostrar-se vivo, capaz de enfrentar um enorme desafio.

Mostrou coragem. Mais vale um rei destituido pela coragem, que um desalojado por falta de atitude.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Mal representados

Aproveito a noite de domingo para percorrer alguns sites de partidos políticos, de diversas secções territoriais, umas notícias, entre outras coisas, relacionadas com o poder local.
Daquilo que vou conhecendo, em algumas situações em particular, consigo discernir o hiato entre o que se escreve, e a verdade. E esse é muitas das vezes enorme!
Até no poder local, onde supostamente existe uma maior proximidade aos eleitos, estamos muito mal representados. Diria gritantemente mal representados.
O poder local, aquele que devia ser imaculado pelo escrutínio quotidiano, foi avassaladoramente assaltado por pessoas menos competentes e sérias.
O poder autárquico é hoje a mesma promiscuidade do poder central, de menor escala, mas não de menor grau de sofisticação à aldrabice.
Estamos efectivamente muito mal representados.
Grande parte dos charlatões perpetuam-se no poder, colocando a máquina partidária, em conjugação com a influência que decorre do exercício de funções, meios humanos e materiais associados, na caça ao voto.
O povo é muito pequeno perante tudo isso.
Existem verdadeiras ditaduras de carácter circunscrito.
E quando, passados 12 anos, se devia dar oportunidade ao arejar dos aparelhos, surgem candidaturas a outros postos, noutros locais, de forma a contrariar todas as lógicas impeditivas.
Muito caminho precisamos de trilhar neste limar do nosso 25 de Abril, sobre pena de ele não ter valido a pena.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Sem tapete em piso húmido

Não basta ser Seguro de nome para se andar seguro.
O Partido Socialista está literalmente a tirar o tapete ao seu líder.
António Costa resguarda-se e deixa outros desgastarem o seu Secretário-Geral.
A política é um jogo de canibais, quando alguém enfraquece é literalmente comido.
Seguro foi (ainda é) um líder de transição. Aliás, chamar-lhe líder é talvez exagerado.
Vamos chamar dirigente.
Foi um dirigente que tentou fazer uma oposição inteligente, mas que talvez nunca o tenha conseguido.
Fraco em proposta, inútil alternativa, Seguro é vítima de um partido de poder, que não sabe viver sem ele (no PSD acontece precisamente o mesmo).
Quando Francisco de Assis avançou, no pós Sócrates, fê-lo porque Costa não o ia fazer.
E não o ia fazer bem. Nessa altura seria um líder para queimar.
Seguro avançou confiante que conseguiria liderar o partido até ser poder.
Mera ilusão.
O pedido de maioria absoluta foi o último estrebuchar de um dirigente que nunca chegou a ser líder.
Esses são aclamados, defendidos e respeitados.
Seguro, coitado, está cada vez mais sem tapete, num chão húmido e minado que fervilha a poder.

A política é injusta, um jogo de canibais…

Que venha Costa, o homem que diz que vai ao congresso, apesar de ainda não saber quando ele decorrerá.

O homem que se segue...

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Ufa Passos…. Tudo está mais verde alface…verde Irlanda

Portugal vive num antagonismo gritante.
Por um lado jornais e revistas, frequências e Tvs, todos anunciam o sucesso da emissão de títulos de divida pública: Portugal voltou aos mercados, com uma procura espectacular, com juros baixos.
Enfim tudo parece brilhante…
Por outro lado, o real, Portugal tem cada vez mais dificuldade em ir ao mercado, comprar o que lhe é essencial.
Nos recibos de vencimento os mercados da Fitch, da Merkel, de Passos, da Troika, não se vão reflectir. Pelo menos para já.
É desse antagonismo que se vive hoje.
De um lado, positivismo, de outro uma recessão que tem três anos.
Do mal, o menos, vê-se a luz ao fundo do túnel.
Tudo parece mais verde, a bolsa está no verde, comparam-nos à Irlanda.
Reparem: Não à Grécia!

O Coelho que tirou, Gaspar da Cartola, pode respirar, tem motivos para isso, pelo menos por agora.
Mas não facilite.

Já do outro lado da trincheira Pedro Silva Pereira pôs o dedo na ferida, atingiu seguro como não antes ninguém o tinha feito, e fez lembrar o País de uma coisa. Este PS governou Portugal 12 anos nos últimos 15.
Fez lembrar Portugal de Sócrates. Credo, cruzes canhoto….. que se mantenha Gaspar, o mago.

Por isso vem aí António Costa, basta aguardar…

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Cheiro a poder no mercado da ribeiro faz zangar as comadres

PS e PSD desentendem-se na aprovação do orçamento municipal de Lisboa.
Supostamente esta divergência deve-se à relutância do PS em não baixar os impostos municipais, utilizando a margem conseguida pela privatização da ANA.
Agora segue-se uma gestão feita com base no orçamento de 2012, uns milhões de euros mais elevado.

Com esta guerra de damas, com cheiro no poder, vai mal a capital.
O problema é que não é a única, este cheiro a sardinha podre espalha-se pelas 308 bancas deste país.
Paga Zé Povinho, o burguês sacode a água do capote.


terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Amor, precisamos de dar um tempo

No namoro troikano Portugal pediu finalmente mais tempo.
Caiu o Carmo e a Trindade, acusaram logo o Mago Gaspar de teimosia, insensatez e de pedir este tempo tardiamente.
O tempo, ora pedido, foi feito numa altura em que já foi provocada uma sangria social. Sim, podia ter sido pedido antes!
Contudo uma coisa é verdade, o tempo em que foi pedido mais tempo, foi o necessário para que os nossos parceiros percebessem uma coisa: Não somos a Grécia.
Sim, não somos mesmo a Grécia.
E para aqueles que defendem que deveríamos tomar a mesma atitude que os gregos desenganem-se.
Na Grécia a situação não está nada famosa.
A crise começou um ano antes e perdurará para além da nossa.
Por isso o tempo, a que reporta o pedido de tempo, foi um bom tempo.
Tardiamente?
Talvez, mas agora teremos mais tempo, para repensar o nosso namoro troikano, para ajustarmos a nossa realidade às nossas disponibilidades e essencialmente para estancar a sangria, fomentando a nossa débil economia.

Por isso, que dêem mais tempo ao tempo.